O movimento Humanamente, uma organização fundada em 2021 e empenhada na defesa intransigente dos direitos humanos, na promoção da igualdade e dignidade para todas as pessoas, e na luta por causas sociais como o custo de vida e a precarização do trabalho, emitiu hoje um comunicado a expressar a sua veemente condenação face ao artigo de opinião "O coletivo LGBTQI+ está a suicidar-se", da autoria de Ascenso Simões, publicado no jornal Expresso a 21 de maio de 2026.
No seu comunicado, a Humanamente critica duramente o texto de Ascenso Simões, considerando-o revelador de uma profunda incompreensão sobre as realidades e lutas das pessoas LGBTQI+. O movimento alerta para a retórica perigosamente alinhada com discursos de ódio e discriminação, que têm sido historicamente instrumentalizados pela extrema-direita para minar os avanços civilizacionais.
A premissa central do artigo de Simões, que sugere que o coletivo LGBTQI+ estaria em processo de "suicídio" ao expandir as suas identidades e reivindicações, é classificada pela Humanamente como falaciosa e profundamente ofensiva. O movimento defende que a diversidade inerente à experiência humana é uma riqueza, e que a evolução da compreensão sobre a sexualidade e o género reflete um processo de maior visibilidade e auto-identificação, e não uma fragmentação ou "folclore" desnecessário. Reduzir estas identidades a uma "mixórdia" ou a "extravagância" é, para a Humanamente, desumanizar e deslegitimar a existência de milhões de pessoas que procuram apenas ser reconhecidas e respeitadas na sua plenitude.
O comunicado prossegue, denunciando o recurso do ex-deputado socialista a uma linguagem alarmista, invocando uma suposta "revolução gramsciana" e "neomarxista" para descrever o reconhecimento das identidades de género. Esta tática é vista como uma forma comum de descredibilização, frequentemente utilizada por movimentos conservadores e reacionários para atacar o progresso social. A Humanamente sublinha que a discussão sobre género não é uma conspiração ideológica, mas um campo de estudo que aprofunda a compreensão da complexidade da identidade humana. Considerando, particularmente preocupante a postura de Ascenso Simões em relação às pessoas trans e intersexo. A sugestão de que uma pessoa trans "nunca será uma mulher" ou "um homem" e que deveria ser considerada num "terceiro sexo" é vista como uma negação flagrante da identidade de género e um atentado à dignidade humana. A Humanamente reitera que as pessoas intersexo e trans merecem todo o apoio médico, familiar, escolar e social, e que a sua autodeterminação deve ser respeitada, sem imposições de categorias redutoras ou estigmatizantes. Relembrando ainda que a luta LGBTQI+, tal como restantes lutas sociais, interligam-se, por se tratarem de lutas interseccionais.
O movimento critica ainda a "má-fé intelectual" com que Ascenso Simões tenta amalgamar a luta por direitos fundamentais com comportamentos "marginais" ou fetiches, como a identificação com animais ou o afeto por objetos inanimados. Ao questionar se o sinal "+" incluirá quem "gosta de fazer sexo com pedras ou plantas", o movimento considera que o militante do Partido Socialista recorre a uma tática de ridicularização e desumanização típica da propaganda de ódio. A Humanamente afirma que tais práticas não fazem parte integrante da agenda do movimento LGBTQI+.
Em declarações, Diogo Barros, Porta-Voz da Humanamente - Movimento Pela Defesa Dos Direitos Humanos, enfatizou: "É imperativo que o Partido Socialista se demarque claramente de tais posições, que não devem ter espaço num partido de esquerda, reafirmando o seu compromisso com a defesa de todas as pessoas LGBTQI+ e com a promoção de uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária."
O artigo de Ascenso Simões também critica as "grandes prides" e a "bandeira arco-íris" com os seus "acréscimos", classificando-os como "folclore" e "excentricidade". A Humanamente contrapõe que esta visão ignora o papel vital das marchas do orgulho e dos símbolos LGBTQI+ na visibilidade, celebração e reivindicação de direitos, sendo espaços de afirmação e resistência. A tentativa de dividir a comunidade LGBTQI+ é vista como uma tática divisiva que visa enfraquecer o movimento.
A Humanamente conclui o seu comunicado expressando profunda consternação pelo facto de um ex-deputado associado ao Partido Socialista adotar e propagar um discurso que ecoa narrativas anti-LGBT da extrema-direita.
O movimento reafirma o seu compromisso em lutar incansavelmente contra todas as formas de discriminação e a defender os direitos de todas as pessoas, sem exceção, salientando que a dignidade humana não é negociável e a diversidade é um valor a celebrar.