Concertos em Famalicão têm entrada gratuita e realizam-se de 22 a 24 de maio, na Igreja de São Pedro do Bairro, na Fundação Cupertino de Miranda e na Igreja de Ribeirão, respetivamente
No dia 22 de maio, às 21h30, a Igreja de São Pedro de Bairro, em Famalicão, cujo grande órgão de tubos foi instalado pela JMS Organaria, empresa que, em conjunto com a Tagus – Atlanticus Associação Cultural, organiza o FIO – Festival Internacional de Órgão, recebe um programa que conta com a organista italiana Ilaria Centorrino. Este concerto traça um percurso coerente centrado na influência italiana na música para órgão alemã entre os séculos XVII e início do século XVIII, ilustrando como uma linguagem musical nascida em Itália — sobretudo a do concerto e das formas baseadas em ostinato — foi absorvida, transformada e reinterpretada por alguns dos mais importantes compositores da Europa setentrional.
Ilaria Centorrino nasceu em Messina, em 1998. Iniciou os estudos de piano, aos quais acrescentou o estudo de órgão no Conservatório de Música “A. Corelli”, em Messina, em 2013. Concluiu a sua formação com distinção máxima e menção honrosa pelo percurso internacional, no Conservatório de Música “S. Giacomantonio”, em Cosenza, sob a orientação do professor Emanuele Cardi. Em 2022, realizou um estágio na Universidade do Kansas (EUA), sob a orientação dos professores James Higdon e Olivier Latry. Para além da atividade concertística desenvolvida em Itália, Suíça, Portugal, França, Inglaterra, Alemanha, Suécia e Turquia, participou e venceu diversos concursos, conquistando vários prémios internacionais.
Em novembro de 2018, foi lançado o seu primeiro CD pela Urania Records, dedicado à influência italiana na música organística do Norte da Europa, e será em breve editado um disco dedicado à música para órgão a solo de pedal. Em outubro de 2021, apresentou-se como solista com a Orquestra da ESMAE, no Porto (Portugal), tendo gravado uma obra inédita de Frederico de Freitas.
Homenagem a “O Fantasma da Ópera” pelo organista André Ferreira
Sábado, 23 de maio, um novo concerto realiza-se na Fundação Cupertino de Miranda, em Famalicão, às 21h30. Este programa celebra o centenário do icónico filme “O Fantasma da Ópera” (1925), uma obra-prima do cinema, dirigida por Rupert Julian e baseada no romance de Gaston Leroux. O objetivo é proporcionar ao público a experiência da interpretação em direto de uma banda sonora interpretada pelo órgão, instrumento que desempenhava um papel crucial em algumas salas de cinema da época, proporcionando a atmosfera dramática e envolvente que acompanhava as projeções.
O concerto será protagonizado pelo organista português André Ferreira, que executará músicas e realizará improvisações ao órgão para evocar a intensidade emocional e o suspense que marcaram o filme, uma história de amor, obsessão e mistério ambientada na Ópera de Paris. O evento não só homenageia o centenário desta obra cinematográfica pioneira, como também resgata a tradição da música em direto como parte integrante da experiência do cinema mudo.
O FIO termina a sua passagem por Famalicão no domingo, 24 de maio, às 17h00, com um concerto dos espanhóis Miriam Cepeda no órgão da Igreja de Ribeirão e Luis Alberto Requejo no clarinete. O programa oferece ao público diálogos musicais entre os continentes europeu e americano, contemplando obras diversas como Rigoletto – fantasia de concerto, arranjo de Luigi Bassi a partir de motivos da ópera homónima de Giuseppe Verdi; Cantilena, das Bachianas Brasileiras de Heitor Villa-Lobos; Tango, de Astor Piazzolla; e improvisação sobre um canto basco de Eduardo de Gorosarri, composto a partir de uma melodia popular basca, entre outras.
Na Igreja de Ribeirão destacam-se dois instrumentos: um órgão histórico tipo realejo, em formato de armário, construído pelo organeiro português António José dos Santos (c.1808-1883), com 14 meios registos e dois pedais para acionar os cheios; e um órgão Klais, com 15 registos, dois teclados e pedaleira, de construção da empresa alemã Orgelbau.
Recorde-se que, depois de 10 edições realizadas em igrejas e monumentos históricos de Santo Tirso e Famalicão, o FIO – Festival Internacional de Órgão, evento cultural que deseja conectar territórios, património e pessoas, expande-se na 11ª edição a Guimarães, cidade com património organístico de relevância internacional.
Organizado pela Tagus – Atlanticus Associação Cultural e pela empresa JMS Organaria, o FIO, cujo diretor artístico é Rodrigo Teodoro de Paula, alcançou já mais de 6.500 espetadores ao vivo e cerca 15 mil pelas redes sociais. A 11ª edição realiza-se em igrejas e monumentos históricos das três cidades, envolvendo 41 artistas de quatro países. A entrada é gratuita, apenas limitada às capacidades dos espaços.
O festival encerrará entre 29 e 31 de maio em Santo Tirso.